Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

No post "Para Além" explico que escrevo continuamente desde a véspera dos meus dezasseis anos, explico também que, apesar de todos os textos terem um título, a "obra" dá pelo nome de "Entre A Morte E A Vida" e, até ao momentos, tem quinhentos e vinte e um textos.

Hoje decidi que devo publicar esses textos com alguma regularidade (já publiquei alguns).

Fiz uma espécie de sorteio e saiu-me o número 113, será esse texto a ser publicado.

(exagerei na palavra "texto")

 

 

113. O Tesoureiro

 

Era uma vez um menino que guardava consigo um valioso tesouro; era o coração da sua amada suicida previamente revestido a ouro. Sem saber que possuia tamanha regalia, o menino não escutava a voz do coração, assim, à débil tirou a pouca alegria e condenou-a à eterna escuridão. Numa noite gélida de nevoeiro, o garoto vestiu mais um casaco, ao meter as mãos no bolso descobriu algo muito bem embrulhado. Enquanto tentava descobrir o que era aquilo, a ansiedade apoderava-se do seu olhar, quando abriu o pacote deparou-se com o que não dá para acreditar. Um coração humano banhado a ouro onde estava a seguinte inscrição: "Por ti vivo, por ti morro!". Incrédulo, o rapazinho tentava-se recordar de quem poderia aquele tesouro pertencer; finalmente lembrou-se da sua amiga louca que, de tanto o amar, acabou por morrer. "Porque partiste sem me falares dos teus sentimentos?", perguntou ele constrangido. Como era impossível obter resposta, o miúdo tirou aquele horrível casaco e submeteu-se a morrer ao frio. Quando já avistava o fim, quando já só poderia habitar no cemitério, a rapariga apareceu e devolveu-lhe a vida, deixando a morte ao seu critério. "Morri porque não mais queria sofrer mas contigo deixei a minha mais valia, a única razão para viver!". Foram as últimas palavras que ouviu da menina ingénua, agora impossível de esquecer. O menino tornava-se no mais conceituado tesoureiro porque consigo tinha o bem mais precioso, um coração humano que foi capaz de o amar mesmo sabendo que o amor pode ser o veneno mais perigoso.

 



publicado por mafalda às 13:54 | link do post | comentar | ver comentários (23)

A minha amiga Pérola passou-me um desafio que consiste em descrever uma memória em seis palavras.

A minha memória é:

 

Happy People Have No Stories (Therapy?)

 

Esta frase faz parte de o refrão da música "Stories" da banda "Therapy?".

Uma vez escrevi uma carta para "ele" onde contava o meu lado negro, as minhas assombrações, os meus receios... Enfim... Aqueles medos que todos nós temos.

No final da primeira parte (tem sempre de haver uma primeira parte) escrevi esta frase como que introdução para o que se seguia e, além disso, repito-a para mim mesma imensas vezes na tentativa, quem sabe, de aliviar.

"Happy people have no stories" é quase a minha filosofia.

 

Não sei quem já fez o desafio mas vou passá-lo a:

 

coisasdecoracao

Páginas Vivas

sopa de poemas

C911eUtopias

DivaeGugas

lagrima tua


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Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Aquele sentido, o que andava perdido, voltou sem anunciar.

Aquela luz, a que tinha sido apagada pela escuridão, está de novo a brilhar.

Ora olha para o horizonte e aponta para a estrela.

Ergue os braços para o céu e vê a nuvem que te espelha.

Por demasiado tempo o meu reflexo era o da tua alma,

Mas esses dias de tortura acabaram, agora reina a calma.

Não lamentes por mim pois eu soube como renascer.

Voltei das cinzas do meu próprio espírito com fome de viver.

Tenho de organizar as ideias, agora.

Tenho de selar a saída, fechar a porta.

Esqueci a tua voz e hei-de esquecer as palavras de bondade.

Eu sou de novo eu e nada mais quero, a não ser a verdade.

O mundo parece-me perfeito deste ângulo de onde o vejo.

Do céu chovem anjos caídos de estrelas ao som do meu desejo.

Por demasiado tempo foi teu o meu único coração,

Foram dias de desespero, penosa condenação.

Mas esses dias de tortura acabaram, agora estou serena.

Aprendi a viver sem esperar por quem nunca por mim espera.

Não lamentes por mim pois eu já não quero morrer.

Voltei do mundo dos fantasmas com vontade de viver.

Tenho de assentar no chão, acertar a hora.

Tenho de olhar para mim, ver-me, agora.

Vou dormir descansada, sem ter medo de sonhar.

Vou sair à rua confiante, sem medo de te encontrar.

Serei sincera contigo, dir-te-ei que sangue meu fizeste correr,

Mas eu seria assim tão forte se não me fizesses tanto sofrer?

Não lamentes, não procuro desculpas ou qualquer explicação.

Eu só quero ser eu e ter comigo o meu destroçado coração.

 



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Domingo, 27 de Abril de 2008

Os meus olhos estão abertos mas nada vêm para além da tua expressão delicada de menino anjo que nunca há-de abandonar o esqueleto que sou. Nem tudo acontece como sonho e os anos passam por mim como se nunca nada do que me faz parte termine com o nome de "morte". Estou tão cansada! O meu coração parece que vai explodir e a minha cabeça parece fazer parte de um outro corpo. Não estou aqui... Não quero estar! O mundo roda à velocidade que tem de rolar e eu permaneço estática como espantalho perdido algures num labirinto como o nome de "desorientação". Sinto-me cansada! Cansada dos passos que nunca me levam a lugar algum, cansada das palavras que sempre soam a falsa simpatia. Os meus olhos, maiores inimigos, continuam a projectar a tua face delicada que nem a barba é capaz de desenfeitar. Tenho tantos motivos para ser feliz, tenho tantas razões para me sentir completa, mas falta-me a essência. Faltas-me tu! Estou tão cansada de te procurar. Por vezes o meu desejo é deixar-me esquecida naquele canto escuro onde poderei apodrecer sem ser incomodada, mas o meu coração é que me guia e ele diz-me que o caminho tem o nome "não o esqueças". E eu não te esqueço. Perdi a capacidade de chorar, apenas sei encolher os ombros; é como se a minha missão tivesse terminado e eu, sem alcançar o sucesso, só tenho de baixar os braços e deixar-me vencer. Estou cansada! O aperto que mora no meu coração veio para ficar e a minha cabeça continua a latejar por diversas e estranhas formas ao longo do dia e da noite. Quero ficar quieta, deitada no chão, deixar que o cansaço me consuma por uma vez; pode ser que se torne menos doloroso. Queria arrancar os olhos para não ter que te ver mas estás tão entranhado em mim que a única solução será morrer. Adeus! Num outro mundo... Quem sabe?

 



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Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

 

Vi-te a caminhar rumo a um destino onde eu não fazia parte.

O horizonte, que quase estavas a alcançar, diz-me que a tua vida não é a minha vida.

Então atiro-me...

Livre!

Vou deixar-te...

Livre!
 

Vou ser livre como nunca o fui e nem os pensamentos serão capazes de te denunciar.

Vi-te a seguir um caminho que para mim é feito de inúmeros obstáculos.

Então percebi, de nada vale, nada serve... Não tenhas dó.

Não vou sofrer.

Vou deixar-te...

Livre!

Vou voar...

Livre!

As palavras que uso são as mesmas mas espero que o sentido seja diferente.

Eu não quero saber de ti, apenas quero saber do coração que me roubaste.

Terei construído paredes de confiança onde a dúvida é a única habitante?

Foi um sonho...

Livre!

Apenas um sonho...

Livre de todas as esperanças pois a morte que se adivinha grita alto na minha cabeça.

Ninguém sabe, ninguém desconfia, ninguém se importa...

Mas eu tenho a prova, sou a única a guardar este segredo:

Aquela pedra que em tempos pareceu ter o peso da minha alma, é hoje um pena leve.

Vou deixar-te...

Livre!

Vou voar...

Livre!

Vou saber...

Ser livre!

E esta é a única maneira...

Livre!

Livre de ti e do que julguei ser de mim!

Vou rasgar os retratos que guardo nesta caixa junto ao peito.

Vou apagar as recordações que parecem saídas de filme.

Vou ser livre!

Foi um sonho!

Foi um tempo que se conjuga no passado.

E o futuro será...

Quem saberá responder?

O futuro será...

Quem dá o primeiro palpite?

E o futuro será...

LIVRE!

 

Was It A Dream? - 30 Seconds To Mars

 

 

Your defence is where I'll hide

Your walls built deep inside

Yeah, I'm a selfish bastard

But at least I'm not alone

 

My intentions never change

What I want still stays the same

And I know what I should do

It's time to set myself on fire

 

Was it a dream?

Was it a dream?

Is this the only evidence that proves?

A photograph of you and I

 

Your reflection I've erased

Like a thousand burned out yesterdays

Believe me when I say goodbye forever

Is for good

 

Was it a dream?

Was it a dream?

Is this the only evidence that proves?
 

A photograph of you and I

 


sinto-me livre
música was it a dream? - 30 seconds to mars

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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

 

As memórias voaram até mim como quem pede para ser recordado...

E tudo começou com "A Walk To Remember",

Seguiu-se "O Pequeno Rei Mário",

"O Teu Nome Escrito Com Arroz",

"Missing",

"Não Seria Mais Fácil Odiar?",

"Mordes-me O Coração"

E hoje eu sei,

Hoje tenho a certeza,

Não há volta a dar,

Pois "Em Ti Eu Acabo".

 

 Por muitos motivos, sejam eles quais forem, o coração tem boa memória.

 

Esta frase foi escrita pela minha querida amiga "Páginas Vivas",

Esta frase fez-me aterrar num mundo de assombrações,

Esta frase ecoa na minha alma como única verdade conhecida,

Esta frase...

Poderia ter sido escrita por mim!

 

Por que terá o coração tão boa memória?

Seria mais fácil clicar no botão "Apagar" e seguir como se nada tivesse acontecido.

Seria mais fácil se o próprio coração não se apegasse demasiado...

O coração deveria ser como as mãos: com função de agarrar e largar.

 

 

 

Ao olhar pela janela não consigo ver o mundo lá fora, apenas testemunho o meu reflexo que, por momentos, me assusta.

Ontem foi mais um dia, hoje será outro dia, amanhã a condenação continua.

Se tento dormir a tua imagem paira sobre mim como nuvem negra que não me deixa voar até às estrelas.

Pergunto-me se o teu sono é tranquilo... Se sonhas com os anjos e se vês a lua que brilha com a força de ninguém.

Quanto de ti há em mim?

Tenho uma corda ao pescoço... Uma corda que vai apertando à medida que o tempo passa.

E o tempo é de silêncio, é de sufoco.

A escuridão já não me permite ver aquela luzinha que sempre chamei de esperança; agora apenas vejo a minha sombra que, mesmo no escuro, pesa mais do que o medo.

Os meus dedos perderam a capacidade de escrever e a minha voz apenas chama pelo teu nome... A palavra que não sai do meu coração.

Não esqueço... Não é por não querer... É por não conseguir.

Esta noite desejei ir para outro lugar.

Passou tanto tempo desde a última vez que o desejei.

Talvez estivesse demasiado absorvida pelos sinais ocultos que me tens enviado.

Mas esta noite foi diferente.

Não sonhei contigo... Que alívio...

Sonhei com um salto infinito e eterno onde o meu grito era o único som do mundo.

Quando acordei senti-me a cair...

A cair...

A cair...

Sem chão!

Sem mão para agarrar!

A cair...

Sempre a cair.

Este meu tombo tem durado tempos aos quais perdi a conta mas sei que tem de parar, por uma vez.

O meu grito continua a sair das entranhas do meu corpo, e não mais é do que o teu nome saído como última esperança, única salvação que não chegará a salvar-me pois há muito tempo que te perdi.

Ou que me perdeste...

O sossego não passa de mais um engano da consciência mas eu deixo que a consciência me engane...

Deixo-me ser enganada só para não ter de enfrentar aquele tormento que fazes crescer em mim.

És o único inocente no meio desta história mas és também o único a culpar.

Os nossos contrastes contrários...

Estás em tudo... Estás em mim, estás naquilo que é meu, estás naquilo que eu quero que seja meu, até nas paredes, onde bato com a cabeça, tu estás.

Tentei lavar as ideias com a água que sai da torneira mas as imagens que me apertam o pensamento trouxeram-me o teu olhar em forma de gota.

Quero arrancar o meu próprio coração e sorrir ao vê-lo parar até não bater mais.

Fantasma...

Um fantasma é aquilo em que em me tornei e sei também que o és pois assombras cada passo que a custo tento dar.

O vento deixou de me acalmar. O vento passou a sussurrar palavras de destruição que tenho curiosidade

 em ouvir.

A chuva não refresca. A chuva só serve para que eu queira afogar-me ainda mais.

E o sol? O sol anda perdido. O sol pegou no calor e fugiu de mim.

A luz não me alcança e eu não quero alcançar a luz com medo de que ela me faça ver a minha cara, o meu rosto sofrível com olhar esquecido e perdido no centro do tempo.

Aqui, dentro de mim, não há ninguém.

As nuvens escuras são o meu espelho...

As nuvens escuras relatam o meu espírito pronto a entrar numa tempestade sem retorno.

Eu pensava que poderia começar em ti!

Hoje percebi que não há começo... O fim instalou-se no que ficou para trás... E fui eu quem ficou cá trás.

É em ti que acabo!

 



publicado por mafalda às 14:55 | link do post | comentar | ver comentários (26)

Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Em quantos vão?

Começou com o título de uma obra... "A Walk To Remember",

Passou por "O Pequeno Rei Mário",

"O Teu Nome Escrito Com Arroz",

"Missing" e

"Não Seria Mais Fácil Odiar?".

Não acaba por aqui...

 

Lembras-te do caderno?

Aquele caderno onde escrevi os textos que tão bem soubeste como criar em mim...

Continua guardado na gaveta... A terceira gaveta do lado esquerdo... É lá que te guardo.

Sabes como eu sou... Gosto sempre de escrever uma introdução.

Há sempre "a primeira parte", como lhe chamaste.

Se me condenassem à morte e, por consequente, tivesse a hipótese de realizar um último desejo, esse desejo seria o de ter a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, acabarias por ler o caderno.

Este caderno que hoje saiu da gaveta e me faz companhia nesta secretária que por tantas vezes me viu escrever o teu nome.

Não quero abri-lo... Não quero ler aquilo que realmente me és.

Mas não posso fugir disso...

Talvez a introdução seja a verdadeira essência.

Talvez a introdução seja um rápido resumo de tudo o que escrevi nas folhas seguintes.

Talvez leias a introdução e não te seja necessário ler mais.

 

Introdução:

 

"Não sei o que poderás pensar quando começares a ler, não sei se o chegarás a compreender.

Espero que sim.

Espero sempre que compreendas, que não leves a mal, que deixes passar.

A verdade é que nem eu sou capaz de explicar o porquê das frases, dos textos, da pressão, ou até mesmo do sentimento que tenho por ti e que não desaparece... Talvez eu queira que desapareça.

Se eu pudesse, começaria pelo fim.

Diria que estou grata por te ter e também diria que não tenho escolha, que não mando no coração.

E, pronto, era o ponto final.

Nada de explicações, de razões, ou motivos.

Mas há tanto por dizer.

Há tanto que quero que saibas.

Não sei por onde começar.

Talvez seja sensato começar por pedir-te desculpas.

Irás ler coisas menos simpáticas e, de alguma maneira, até chego a acusar-te (vai-se lá saber do quê).

É importante que saibas que são momentos, são sentimentos que me provocas, que vais provocando, e esta é a minha maneira de lidar com isso.

É o meu escape.

É tudo muito baseado na distância, no silêncio; exageros, é certo.

São mil pensamentos, mil sentimentos, que fizeste crescer em mim na inocência de seres quem és, como és.

Por vezes chega a ser ridículo, sem sentido, mas cada um desses textos tem um significado especial.

São passagens só nossas.

É por isso que tenho esta vontade toda de te oferecer essas palavras, seria egoísta se não o fizesse.

E entre o egoísmo e o constrangimento, escolhi o segundo.

É que, por muito contente que eu esteja em partilhar isto contigo, não deixo de sentir uma pontinha de vergonha.

Chega a ser engraçado.

As primeiras frases foram retiradas do livro "Morder-te O Coração" de Patrícia Reis; são frases tão adequadas que parecem assustar.

Depois vem uma série de distintas definições que tenho de ti, de mim sem ti, de nós (se é que posso utilizar esta palavra: "nós").

Não foi por acaso que escolhi este caderno aquela parte do "StarKid" tem tudo que ver contigo.

Cuida bem dele.

Não é que o que lá está escrito seja algo assim de tão extraordinário mas, acima de tudo, é muito pessoal.

Vou tentar entregar-to em mãos, será como uma das últimas frases que por ele se passeiam: "quero entregar a minha vida nas tuas mãos".

Resta-me dizer que isto não é o fim, que nunca acabará.

Terás sempre aquele poder em mim que me fará escrever e escrever. Ainda bem que assim é.

Estou muito grata por te ter desta maneira especial que só eu sei ter, que me permites ter.

Porque eu não mando no meu coração e foi ele, o meu coração, que tão bem te soube escolher".

 

As frases retiradas do livro "Morder-te O Coração" de Patrícia Reis:

 

"Acredita que começar de novo, sem ti, é como ter a consciência exacta da respiração. Tornou-se um exercício penoso de sobrevivência.

Nesta minha vida de cá tenho uma arca de madeira cheia de coisas de que não gostarias, de incompreensões e deveres, de doenças e fracas conquistas.

Vou contar-te tudo, sem mentir, enquanto olho para a árvore cor de rosa de copa perfeita, vou contar-te tudo alto, como se a minha voz pudesse chegar a ti."

 

 

Tanto tempo passou...

Tanto tempo vai passando...

Um dia, resta a esperança...

Um dia irás ler!                                                                                                        



publicado por mafalda às 12:11 | link do post | comentar | ver comentários (12)

Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

"A Walk To Remember"

"O Pequeno Rei Mário"

"O Teu Nome Escrito Com Arroz"

"Missing"

O que tem este texto de diferente?

Ao contrário dos primeiros quatro, não é feito de recordações mas sim de sentimentos...

Sentimentos sentidos no momento...

O chamado "primeira coisa que me vem à cabeça" 

 

Não te parece que o mundo roda ao contrário?

Não te parece que há algo que deixou de funcionar?

Um dos pilares ruiu.

Sinto que o fim está próximo..

Não posso pensar mais, não posso falar mais.

Dou as boas vindas ao silêncio.

A solidão, que sabe tão bem ser minha companheira, alojou-se no coração.

O escuro, onde choro lágrimas incolores e sentidas, é um simples protector dos atentados que cometo sobre mim.

O silêncio... É o mais pesado.

Olha para mim...

Olha para o que ficou...

E não digas nada...

Não quero ouvir, não quero que fales só por falar.

Não quero favores.

Mas não te parece que o universo engoliu a Terra?

Não te parece que os relógios pararam e que tudo o resto não passa de ficção?

Houve alguém que se cansou da vida que não tinha, dos sonhos que não passavam de sonhos...

Houve alguém que desistiu...

Eu?

Porque não?

Porque não poderei fazê-lo?

Tu desistes de mim e eu desisto de mim... Já que não sei desistir de ti.

Se vires bem, se leres com atenção, sou mortal como tu mas há muito tempo que deixei de viver.

Parece história...

Parece mentira!!!

Nunca pensei...

Talvez devesse ter pensado...

Mas não pensei que pudesses ser a pessoa que mais amo e que mais odeio.

Como é estranho...

Como é improvável...

Como é desagradável o raio dos sentimentos!

Que estou eu a escrever?

Eu não te odeio... Talvez fosse mais fácil odiar do que amar.

E eu sei que não sou perfeita, não sou (embora queira ser) aquela alma sábia.

Não sou como tu...

Onde é que errei?

Saberás?

Onde é que falhei?

Respondes?

Onde é que me enganei?

Talvez ao pensar que serias para sempre meu.

Sempre foste meu... De uma maneira que só eu sei ter.

Da mesma maneira que, talvez, nunca aceitaste.

Há tanta coisa que não sei.

A palavra "talvez" começa a parecer-me insuportável...

A expressão "não sei" ultrapassa os limites da minha ignorância.

Só tu és dono da verdade.

Só tu sabes o "porquê".

Só tu tens a chave para este desespero onde vivo trancada.

Dá-me uma hipótese...

E não irei falhar.

Não irei decepcionar-te.

Sou tão ridícula... Tão parva!

Onde é que quero chegar com tudo isto?

A ti?

O que estou a fazer só me condena mais... Só me faz recordar mais de ti e mais e mais e mais...

Até que ponto irei aguentar?

Acho que o deixei de fazer há muito, muito tempo.

De qualquer maneira, e porque já me começa a meter uma certa impressão, terei de dizer-te o quanto continuas a ser importante.

Não o vou fazer de ânimo leve.

Irei ter horas de sufoco a pensar na tua reacção...

Não poderia ser mais fácil?

Somos pessoas... Nada do outro mundo!

Somos pessoas...

Que ideia mais idiota!

A ideia de dizer-te...

Vais condenar-me?

Não o podes fazer pois já atingi o meu limite.

Agora, tudo o que vier é tudo o que virá.

Pior não fica, disso tenho a certeza.

Não sei nada de ti e, não saber nada de ti, é mau.

Pior do que isso, é saber demasiado de mim.

É saber que não vivo sem ti.

É saber que me afundo um pouco mais em cada dia.

É ter a certeza de que não sou capaz de seguir um caminho... Seja ele qual for.

O meu caminho és tu e ponto final.

Ponto final...

Sem paragrafo nem travessão.

Pois é em ti que a minha vida começa e acaba ao mesmo tempo.

É em ti...

E é absurdo ainda não o saberes... Depois de tantas vezes eu o ter dito!

Em que dia?

A que horas?

Virás cá...

A mim só me interessa que venhas...

Nem quero saber do que tenhas para dizer...

Seja bom ou seja mau...

Apenas interessa que saibas... É sempre o que me interessa:

Que saibas, pois mereces sabê-lo.

Tens de saber...

Saber que isto ainda não acabou... Nem tão cedo acabará.

Simplesmente, tens de saber.

E tudo o resto deixará de existir.

Não vou querer estar à tua frente, posso até  nunca mais te ver.

Isso fica em segundo plano.

O importante é saberes... Até porque eu não tenho nada a esconder.

Nunca tive...

E há mais:

Mesmo que já saibas tudo isto, aposto que não sabes que eu escrevi o teu nome no céu.

Era noite, estava frio, era tão escuro...

Mas uma luz brilhava o suficiente para que eu o conseguisse fazer...

Era a luz da esperança... Nunca perdi a esperança.

E foi então que eu escrevi o teu nome...

Apenas o primeiro... Não esqueci que não gostas do segundo.

Rápido, sem meias medidas, sem prestar muita atenção à letra...

Escrevi o teu nome no céu.

É pena que não o tenhas visto.

Nessa noite dormi com algum do descanso que tão bem anda perdido.

Nessa noite sonhei contigo... Como sempre... Mas foi um sonho bom...

Um sonho que me fez acordar lavada em lágrimas... De felicidade!

Felicidade? Que ridícula...

Sei lá eu o que é felicidade.

Então, diz-me:

Não sou tão fácil de odiar?

 



publicado por mafalda às 21:32 | link do post | comentar | ver comentários (18)

                                              

 

 

A querida "aminhadortemoteunome" ofereceu-me este miminho... Lindo como sempre.

Sei que alguns de vocês já o receberam mas, para não "discriminar" vou passá-lo a todos.

 

 - C911eUtopias

 - coisasdecoracao

 - coisasdocoracao 

 - DivaeGugas

 - lagrimatua

 - Lalunia 

 - pérola

 - pingo de mel

 - puros instantes

 - um dos de mim

 - bichana

 - André Marquês D´Carvalho

 - sopa de poemas

 

E, claro, à querida amiga "aminhadortemoteunome".

Obrigada por este miminho.

 

 



publicado por mafalda às 12:57 | link do post | comentar | ver comentários (16)

Domingo, 20 de Abril de 2008

 

Tudo começou com "A Walk To Remember "...

Segui-se "O Pequeno Rei Mário" e "O Teu Nome Escrito Com Arroz".

Não foram planeados... Estes textos.

Mas aqui está:

 

Dizem que a palavra "saudade" é exclusiva da língua portuguesa...

Dizem que não há tradução possível.

É como o significado que a própria palavra tem...

Que significado lhe darias?

Eu dou-lhe os meus sentimentos.

"Saudade" é o que sinto mas que não sei explicar.

Se me obrigasses a definir a palavra "saudade" eu diria:
 

- É derramar lágrimas sempre que penso em ti.

 

Tenho saudades tuas.

 

Ou seja, penso em ti a toda a hora, sonho contigo nos trinta minutos que consigo dormir seguidos, espero encontrar-te sempre que ponho os pés fora desta casa...

Destas paredes.

Muralhas...

Muro das lamentações!

 

Por vezes ligo o rádio e digo para mim mesma que é a solução para ter uns minutos de descanso, mas é então que uma palavra, uma frase, uma melodia, traz-te de volta  mim.

Ligo a televisão. Tenho a certeza de que aquele filme será capaz de me envolver, de me afastar do meu mundo, mas aquele actor, nem sei o nome, é tão parecido contigo.

Tão parecido e tão diferente...

Espera! Já sei!
 

Os olhos... Os olhos dele são os teus.

Aquela expressão... Já te vi assim.

 

Encontro-te nos locais mais improváveis.

Encontro-te sem te encontrar... Pois não estás comigo.

Encontro-te sem te perder... Pois não cheguei a largar-te.

 

Fazes-me acreditar em anjos.

Pequenos anjos que descem à Terra com mensagens de esperança.

Fizeste de mim uma eterna criança.

Era criança quando te conheci e continuo a sê-lo pois ainda acredito no "Final Feliz".

Era assim que eu pensava que iríamos acabar:
 

 Sem acabar!

 

Tenho saudades tuas!

 

Se estivesse aqui, tudo o que ouvirias seria:
 

- Tenho

E as minhas lágrimas dir-te-iam o resto.

 

Ontem foi sábado.

Encontrávamo-nos sempre aos sábados... Lembras-te?

Parece que foi há tanto tempo!

Ontem foi sábado mas, no fundo, não quis encontrar-te.

Não quero ter de olhar para ti e dizer um simples olá, dois beijinhos, e a vida continua... Ou então estar com essa ideia (a de te encontrar) e não conseguir fazê-lo.

São coisas que me levam a parar.

Quero ver-te mas não quero ver-te.

Quero falar-te mas não quero falar-te.

Quero mas não quero.

Apenas quero que saibas que em nada mudaram os meus sentimentos mas não quero ser eu a indicar-te este caminho.

 

Sempre te vi acima das outras pessoas.

Tu próprio disseste que nem tu eras capaz de te ver em tão alta consideração.

Esses dias...

Eram dias de pura inspiração.

Tenho um caderno com cada um dos textos que me levaste a escrever. Um caderno, folha a folha, todo escrito...

Espero, um dia, oferecer-to.

 

Hoje, enquanto escrevo, não estou em frente ao computador. Estou à janela; aquela janela de onde vejo a montanha tocar no céu, lá longe... Quase tão longe como tu estás de mim.

Foi este céu que te deixou cair?
 

Foi naquela montanha que aterraste?

Já lá estivemos... Na montanha.

Há quanto tempo?

Não sei o "antes", não sei o "depois".

Mas sei que foi lá que dividimos o nosso primeiro cigarro.

Quantos se seguiram?

Hoje tudo é diferente...

Tu não fumas, eu não fumo, tu não pensas em mim e eu...

Eu continuo sem saber viver sem ti.

 

Ontem foi sábado...

Sabes o que estive a fazer?

Estive a ver o segundo e o terceiro filmes de "Os Piratas das Caraíbas".

E vi-os sem deixar de pensar em ti.

Um dia, estavas chateado, estavas indignado... Tudo porque o Marlon Brandon disse, numa entrevista, que considerava o Johnny Depp o melhor actor de todos os tempos.

Achei-te uma piada! (mais do que aquela que já achava)

- O Johnny Depp!

Dizias, incrédulo.

Sim, porque, para ti, o melhor actor é o Al Pacino.

 

É assim...

É sempre assim...

Passamos por tanta coisa, por tantos locais... Tantos momentos! Que me é impossível não pensar em ti a toda a hora, na mínima coisa, no mais pequeno dos pormenores.

 

Estás em tudo.

 

Ainda mais estás no meu coração.

 

E, eu, que tantas saudades tenho, ando a divagar por recordações.

Por memórias que, talvez, já nem te lembres.

- Isto aconteceu?

Poderás perguntar.

E eu digo que sim. Aconteceu e marcou-me ao ponto de eu não conseguir esquecer.

Como aquele dia, tão normal, em que eu ia a caminho da aula de Português e disse a elas:

- Vão vocês.

E voltei para trás só para estar contigo mais uns minutos.

- A tua aula?

Perguntaste.

E eu respondi com outra pergunta:

- Que interesse tem "Frei Luís de Sousa"?

E ali ficámos, cinquenta minutos, sentados no chão, a falar não sei do quê, sobre não sei o quê...

Ou como naquela aula teórica de Educação Física (que parvoíce!) em que ninguém ligava ao que o professor dizia...

Tu escrevias e desenhavas na capa do meu caderno preto (ainda hoje o guardo) e, por vezes, trocavamos ideias sobre música (sempre a música). Chegamos mesmo a cantar algumas... Muito baixinho.

 

- Isto aconteceu?

Podes perguntar.

E eu dar-te-ei todas as certezas.

 

Tenho tantas saudades tuas...

 

 

Escolhi uma música.

Lembras-te quando eu te dizia: "Hoje dedico-te..." e escolhia uma música?

Pois hoje escolhi palavras e sons que me fazem chorar sempre que as ouço.

Para ti:

 

Missing - Evanescence

 

 

Please, please forgive me

But I won't be home again

Maybe someday you'll look up

And, barely conscious, you'll say to no one:

"Isn't something missing?"

 

You won't cry for my absence, I know

You forgot me long ago

Am I that unimportant?

Am I so insignificant?

Isn't something missing?

Isn't someone missing me?

 

Even though I'm the sacrifice

You won't try for me, not now

Though I die to know you loved me

I'm all alone

Isn't someone missing me?

 

Please, please forgive me

But I won't be home again

I know what you do to yourself

I breathe deep and cry out

Isn't something missing?

Isn't someone missing me?

 

Even though I'm the sacrifice

You won't try for me, not now

Though I die to know you loved me

I'm all alone

Isn't someone missing me?

 

And if I bleed, I'll bleed

Knowing you don't care

And if I sleep just to dream of you

I'll wake without you there

Isn't something missing?

Isn't something...

 

Even though I'm the sacrifice

You won't try for me, not now

Though I die to know you loved me

I'm all alone

Isn't something missing?

Isn't someone missing me?

 


música missing - evanescence

publicado por mafalda às 13:16 | link do post | comentar | ver comentários (14)

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