Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

http://www.mundodosgifs.com/joaninhas/jo15.gif

(imagem retirada da internet)

 

Joaninha Voa, Voa

 

Quando Joana chegou ao centro comercial faltavam vinte minutos para a hora de abertura da loja e não pensou duas vezes quando viu as suas companheiras de profissão sentadas numa mesa do pequeno café que ficava em frente ao seu local de trabalho.

- Que caras sérias são essas? - perguntou enquanto puxava uma cadeira que pertencia a outra mesa.

- Fala-se que vão fechar o centro comercial! - informou a Carla.

- Deves estar a brincar! Com todas estas pessoas que passam por aqui? Naaa!

- As pessoas passam por aqui, disseste bem! As pessoas vêm passear, ver as montras... Mas não compram! - disse a Susana.

- Não acredito! - convenceu-se Joana. - Eu sei que os negócios estão fracos mas não é caso para fecharem o centro comercial assim, da noite para o dia. Melhores dias virão!

- Continua acreditar nisso, minha amiga, e terás uma grande desilusão!

Enquanto proferira estas palavras, Carla tinha a cara mais séria que Joana alguma vez viu... E logo a Carla, que era a alegria do grupo!

Joana não quis pensar mais no assunto! Tinha uma loja para abrir e, em princípio, muitos clientes para atender.

Aquele era o seu trabalho há mais de quatro anos... Embora não fosse aquilo que tinha em mente quando se mudou para a grande cidade, a verdade é que não tinha muito por que se queixar; tinha o seu dinheiro, e isso incluía a dependência que sempre ansiara, tinha feito grandes amizades com Carla e Susana, que trabalhavam nas duas lojas que se seguiam, tinha a oportunidade de conhecer gente simpática, embora lá de longe a longe apanhasse alguém verdadeiramente arrogante, e tinha aprendido o "ofício"... Não se via noutro lugar ou a fazer outra coisa.

Funcionária exemplar que era, Joana estava encarregue de abrir e fechar a loja, fazer as contas, depositar o dinheiro e todas as responsabilidades eram suas, mas sentia-se feliz com ela própria e gostava que D. Madalena depositasse em si toda a sua confiança.

Um dia, um longo dia de Janeiro, D. Madalena entrou na loja.

- Não a espera hoje por aqui! - exclamou Joana.

- Pois é, Joaninha! Temos de conversar...

- Não me diga que as contas não batem certo!

- Não é nada disso, minha querida! Nem sei por onde começar! Bem decerto já ouviste falar sobre o fecho do centro?

Joana não sabia se aquilo era uma pergunta ou uma afirmação, por isso optou por não dizer nada.

- Parece que é o que vai acontecer! - continuo D. Madalena. - E. mesmo que isso não aconteça, vou ter de fechar a loja.

Joana foi apanhada de surpresa e, se antes não sabia o que dizer, agora não só não sabia o que dizer como também não sabia o que pensar.

- Desculpa, Joaninha! Passaste os últimos quatro anos aqui e eu gostaria que assim fosse por muito, muito mais tempo... Mas não dá! As vendas de Natal ficaram muito aquém do esperado, tu bem sabes, e esta época de saldos está a ir pelo mesmo caminho... Mal ganho para pagar a renda e confesso que já tive de tirar do meu bolso para te pagar o ordenado. Tu não tens culpa! És uma excelente funcionária, não há quem diga o contrário...

- Eu compreendo, D. Madalena! Não se preocupe comigo!

Joana ficou a saber que o previsto seria o fecho do centro comercial no final do mês mas, tal como disse D. Madalena, a loja fecharia de qualquer maneira.

 

No dia 31 de Janeiro, todas as 25 lojas abriram as portas pela última vez.

Passava já da meia-noite quando Joana chegou ao seu pequenino apartamento; já deitada na sua cama, pensava no futuro! Agora teria de procurar um novo emprego e seria isso que planeara para o dia seguinte.

Depois de ter percorrido ruas e mais ruas, que a uma determinada altura lhe pareciam infinitas, e de ter entrado em todas as lojas que encontrava, Joana voltou a casa... Cansada mas não derrotada.

Até um dia...

O dinheiro esgotava-se cada vez mais! A linha de telefone foi cortada, a internet foi cortada, os canais por cabo foram cortados... E o dinheiro continuava a esgotar-se!

Joana tomou a decisão mais difícil: voltar para casa dos seus pais.

 

Quando saiu do autocarro, teve a ligeira sensação de nunca ter saído daquele lugar. As ruas estavam iguais, as casas estavam iguais, até as pessoas estavam iguais... Mas teve a sorte de estar no local certo há hora certa: no segundo dia de "estadia" em casa dos pais, Joana decidiu ir ao pequeno supermercado comprar a manteiga que tanta falta lhe fazia e foi a caminho de casa que ouviu a Senhora Berta a chamar por ela.

- Joaninha, és mesmo tu! Voltaste, minha querida, e em boa hora o fizeste! Por acaso não queres ajudar esta pobre velha no quiosque?

O "quiosque" era na verdade uma livraria... Uma pequena, e única, livraria que ficava no centro da aldeia.

- Claro que sim, D. Berta! - respondeu Joana com entusiasmo.

Joana sempre gostara da velha livraria; foi lá que aprendeu a sonhar e a apreciar o mundo, foi lá que conheceu lindas histórias que estavam guardadas como que secretamente dentro dos livros.

O dinheiro não era muito mas, pelo menos, dava para Joana comprar as suas coisas sem correr aos seus pais e, com um pouco de esforço, conseguia guardar uma ou outra nota para, mais tarde, depositar no banco.

 

Dois anos passaram.

D. Berta falecera entretanto e, sem surpresas, deixara a livraria a Joana.

O negócio não dava grande lucro mas, mais importante, também não dava prejuízo!

Joana estava mais feliz do que alguma vez estivera nos quatro anos que passara na cidade... Tinha a sua casinha, que partilhava com o namorado, Hugo, com quem planeara casar no final do ano; tinha visitas frequentes de Carla e Susana; tinha a sua família perto de si e tinha estabilidade.

Joaninha aprendeu que pode tropeçar... E não cair! 

 

Nota: texto de ficção criado por mim para a "Fábrica de Histórias".



publicado por mafalda às 22:42 | link do post | comentar

12 comentários:
De Maria João Brito de Sousa a 8 de Fevereiro de 2009 às 00:19
Gostei, Jianna. Às vezes pode, realmente, tropeçar-se e não cair. :)


De mafalda a 9 de Fevereiro de 2009 às 10:56
obrigada! estou contente por teres gostado.
aquilo que permite manter o equilíbrio está dentro de nós... :)
beijinhos.


De Maria João Brito de Sousa a 9 de Fevereiro de 2009 às 11:48
:) Está mesmo!


De mafalda a 9 de Fevereiro de 2009 às 13:55
:)
cabe a nós manter esse equilíbrio.
beijinhos.


De pingodemel a 8 de Fevereiro de 2009 às 21:06
....transmites uma moral na história...mas a felicidade da joaninha so existe porque felizmente ela consegue ser feliz com "pequenas" coisas ...
p.s. a imagem que usaste foi a que usaram na minha despedida de solteira :)

beijocas


De mafalda a 9 de Fevereiro de 2009 às 11:07
pequenas coisas que, afinal, são tudo o que a Joaninha precisa :)
:) aquela imagem numa despedida de solteira fica muito... cutchi-cutchi ;)
beijinhos, miguinha.


De magnolia a 8 de Fevereiro de 2009 às 23:54
E tudo está bem quando acaba bem:) E nunca devemos desistir não é ?:)

Um beijinho grande!


De mafalda a 9 de Fevereiro de 2009 às 11:08
pois é, amiga! está nas nossas mãos... mesmo que por vezes o futuro não se adivinhe ser o melhor, a vida continua a surpreender ;)
beijinhos.


De Closet a 9 de Fevereiro de 2009 às 00:26
Gostei muito! às vezes é preciso voltar atrás para se encontrar o nosso destino... e os tropeções fazem parte da vida, o que importa é não ficar no chão ;)
Bjinhos


De mafalda a 9 de Fevereiro de 2009 às 11:10
:) a força que nos permite levantar (ou manter o equilíbrio) está dentro de nós... foi isso que quis transmitir nesta história... por muito negro que o futuro pareça, há sempre uma luzinha que espera ser vista ;)
beijinhos.


De Sorriso ツ a 9 de Fevereiro de 2009 às 12:06
Só consigo dizer... LINDO!
E excelente mensagem que passaste, uma mensagem de optimismo... :)

Beijinhos


De mafalda a 9 de Fevereiro de 2009 às 13:57
obrigada!!!
olha para mim:

;)
beijinhos.


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