Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

http://www.astro.keele.ac.uk/~iain/gallery/otherimages/monsanto.jpg

(Monsanto, imagem retirada da internet)

 

Dia Lindo

 

- Que dia lindo!!!

- Quinhentas e setenta e sete vezes!!!

- O quê?

- As vezes que já disseste isso, Tomás!

- Mas está mesmo lindo! Está-se tão bem nesta esplanada, sem nada para fazer, a ver as pessoas que descem a calçada...

- E sobem! A calçada também dá para subir!

- Oh Carolina, que bicho te mordeu hoje?

- O mesmo que te mordeu quando te passou pela cabeça vestires essa camisa vermelha!

- Isto não é vermelho!

- Pois não! É encarnado!

- Que mau humor!

- Pronto, desculpa! O dia está bonito, concordo, está-se bem na esplanada, também concordo, a tua camisa é vermelha, pois é!

- E tu pareces o touro pronto a atacar!

- Só mesmo tu para me fazer rir! Olha lá, tu não tinhas de ir não sei onde fazer não sei o quê?

- Tinha... Mas é só mais logo. Relaxa! São três horas da tarde, está calor, estamos à sombra a saborear um gelado de chocolate... Não há melhor.

- Sabes, Tomás, estamos à sombra mas eu estou a arder! Arre! Está mesmo calor! Quem diria que nesta aldeia do interior faria tanto calor no primeiro mês do ano?

- É verdade! Mas também estás vestida com essas cores escuras... Já sabes que ficas com mais calor.

- Pois sim! Como se o vermelho não fosse uma cor escura!

- Isto não é vermelho!

- Olha! O Manel vem ai! Ele parte-me toda com aqueles chinelos... Qualquer dia apanha um tombo que nunca mais se endireita!

- Ele já está habituado!

- Será que vem para aqui?

- Não sei! Podemos chama-lo!

- Olha, olha! Afinal vai para casa da Carlota!

- Pode ir para casa do Nuno, não sabes!

- Claro que sei! Ora repara: a casa que está mesmo aqui à frente é a do António, a segunda do lado direito é a dos pais do Miguel, a terceira é a da Carminda do supermercado, a quarta é a do Nuno e a quinta, onde o Manel entrou, é a da Carlota!

- Olha que é mesmo! Tens isto tudo orientado!

- Claro, Tomás! Aqui as casas parecem todas iguais! Parecem clones de clones!

- Carolina tens um lagarto na saia, os Carolina tens um lagarto na saia!

- Estás parvo? Pára lá com essa canção! Nem sequer é assim...

- Tu não sabes como é!

- Nem quero saber! Pára com isso, repara naqueles senhores da mesa do canto a olharem para nós! Eles não estão habituados a receber malta nova por cá.

- Dizes tu...

- Foi a Carlota quem disse! Quando eu lhe pedi ajuda para o projecto ela nem hesitou; disse logo que a aldeia natal dela era a melhor para a nossa investigação e que seria bom virmos para cá porque isto é... Muito morto! Sim, muito morto foi o que ela disse!

- Bem, eu pensava que era uma aldeia envelhecida mas, afinal, os jovens vão resistindo!

- Ainda bem!

- Sim, Carolina, ainda bem! Isto aqui é muito bonito! Nem interessa que as casas sejam iguais ou que as ruas sejam de paralelos ou que apenas haja um café que é ao mesmo tempo supermercado.

- Imaginas-te a viver aqui... Para sempre?

- Não sei! Estou habituado a outras coisas... Aos cinemas, às livrarias, às auto-estradas, à confusão citadina... Enfim, não me vejo aqui para sempre mas é, sem dúvida, um bom lugar para passar umas férias!

- Ouve lá, onde é que vais logo?

- Isso interessa?

- Interessa! Também quero ir!

- Mas não vais! Só se disseres que a minha camisa vermelha é bonita!

- É bonita, sim senhora! A camisa vermelha é bonita e fica muito bem com essas calças azuis!

- Bem que te podias esforçar para que isso parecesse sincero!

- Pronto, está bem! A camisa é bonita e fica-te muito bem, sobresai a cor dos teus olhos! Está melhor assim?

- Um bocadinho mas, se quiseres ir, terás de pedir com jeitinho.

- Oh Tomás, leva-me contigo, logo, onde quer que fores... Com jeitinho.

- Palerma! Está bem! Eu digo-te onde vou mas já sei que não queres ir...

- Sabes nada!

- Sei sim!

- Então diz onde vais!

- Vou ver se está a chover!

- Eu vou-me zangar contigo!

- Ooohhhh! Faz beicinho, faz!

- Sabes que mais? Podes ficar com o teu mistério, já não quero saber! Logo à noitinha, eu vou vestir aquele vestido que tu bem conheces e vou...

- Vais para onde? Subir e descer a calçada? Aqui o café fecha às dez e não há mais sítio nenhum para onde possas ir... A não ser para casa da Carlota!

- Não importa! Visto o vestido e fico em casa... Tanto faz!

- Vá! Dá cá um beijinho, sim? Eu digo-te onde vou, está bem? Vou ao reservatório da água buscar as análises!

- A um sábado à tarde?!

- Sim! Ficam prontas hoje! Olha, lá vem o Manel e a Carlota! Ali há caso!

- Eu vou averiguar isso... Deixa-os chegar! Peço à Carlota para ir comigo lá dentro ao balcão e faço com que ela conte tudo!

- Tomás, Carolina! Tudo bem?

- Está tudo, Manel! Oh Carlota, vem comigo lá dentro buscar uns refrigerantes para os rapazes!

- É para já!

- Manel, tens tudo pronto para logo?

- Tenho, Tomás! Mas temos de ser cuidadosos.

- Não te preocupes, a história das análises pegou.

- A Carolina não desconfiou que isso é mentira?

- Não! Ela sabe que mandamos analisar a água e não tem interesse algum em ir comigo ao reservatório, portanto... estou safo!

- Estás safo... É como quem diz! Quando ela souber que lhe mentiste....!!!

- É por uma boa causa!

- Lá isso é! Preparar um pedido de casamento é sempre uma boa causa!

- Ainda mais quando é surpresa!

- Desconversa, Tomás! Elas vêm ai!

 

Nota: texto de ficção criado por mim para a "Fábrica de Histórias"



publicado por mafalda às 13:37 | link do post | comentar

8 comentários:
De Lara a 22 de Fevereiro de 2009 às 21:01
adorei a tua história ! parabéns!!!


De mafalda a 22 de Fevereiro de 2009 às 21:43
olá!
obrigada :)
beijinhos.


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