Quarta-feira, 12 de Março de 2008

lamentações (parte I)

 

Os meus sentimentos não passam de traços ilegíveis na memória dos tempos. Vem o vento e leva as palavras... Leves no ar. Cai a chuva e lava a consciência... Limpa como cristal. O pó dos teus passos enterra o meu coração... Num cemitério de horror. O fogo arde, o fogo queima, o fogo consome a minha voz quando conto a minha dor. Sonhei contigo mais uma vez mas nem sei se estava a dormir ou a fazer-me de acordada. O que sei é que nunca hei-de conseguir varrer-te da minha alma. O teu nome prevalece nos ecos do silêncio onde habito na ilusão do teu regresso; a ausência que não sei explicar. O teu sorriso começa a ser uma memória escassa de tempos passados; a felicidade que não irei encontrar. O mundo parece-me pequeno se o comparo ao que quero dizer; não vou gastar as palavras em vão, apenas quero morrer.

 

 

lamentações (parte II)

 

 

Por vezes dou comigo a pensar no brilho que sempre te acompanhou e hoje sei que eras a luz na tremenda escuridão que carrego. Quando foste embora as paredes pintaram-se de preto, o dia deixou de nascer; já nem sei dizer qual a forma que tem o sol.

Se soubesses a falta que me fazes talvez nunca tivesses virado as costas. Mas eu expliquei vezes sem conta! Eu disse-te que o amor eterno existe... Sabias que eu te amava e eu apenas sei que isso não pesou na tua decisão.

Quando saio à rua tenho sempre esperança de te encontrar mas volto sempre sozinha para uma casa demasiado grande para a pessoa que sou.

Sinto-me perdida num mundo fantasmagórico ao qual não dou valor nem tão pouco quero conhecer.

Se olho para o horizonte são os teus olhos que vejo e estou tão farta de te procurar que até já me sinto cega e patética...

O tempo que gasto é em vão, as lágrimas que choro são em vão. Nunca saberás o quanto me fazes sofrer e isso faz-me morrer... Lenta... Trágica... Infindável!

São tantas as vezes que dou comigo a desejar-te ter-te aqui! São tantas as promessas que te quero fazer! Eras a única esperança nesta vida que nunca quis viver e ver-me sem ti é o maior castigo ao qual fui condenada.

As saudades que te tenho cortam este ar pesado e deixam-me a respirar com uma dor que tão bem me faz chorar. Deixei de sentir o meu próprio coração, agora apenas possuo um imenso buraco negro no lado esquerdo do meu peito e não sei como remediar isso.

Se olhasses para mim talvez visses que eu estou aqui. Sempre estive!

O caminho é sombrio... Mas qual caminho? Fiquei estática a ver-te partir e estática continuo enquanto as lágrimas formam este mar de lamentações. Vou deixar-me afogar.

A minha existência é sombria... Qual existência? Se cheguei a viver fi-lo por ti e sei que voltei a morrer quando o silêncio se instalou dentro destas quantro paredes.

Eu sou sombria. Mas eu deixei de existir, deixei de lutar. Perdi todas as forças quando a minha alma chamou pelo teu nome e não soubeste responder.

Estou tão vazia!

Pareço um peão a rodar, a rodar, sem saber onde parar.

Quando me deito rezo para que o sono seja eterno e eu não tenha mais de te ver em tudo para onde olho.

Se eu soubesse explicar-te esta dor talvez me oferecesses cinco minutos da tua atenção. Mas eu não sei falar na dor se te tenho à minha frente; a tua presença faz-me esquecer o sofrimento que carrego e é quando vais embora que o cenário do encanto se desmorona... Ao som dos teus passos. Volto ao fundo do poço, o mesmo poço que não sei descrever quando te olho pois alivias qualquer mágoa que arrasto.

Dá-me a tua mão só mais uma vez! deixa-me saber que é a última vez e poderei morrer em paz.

Ficou tanto por dizer! Todos os dias encontro uma frase que quero que ouças e falo sozinha na ilusão de ainda te ter como companhia.

Esgoto-me em cada hora que passa, vou morrendo um pouco mais em cada minuto que passa. Desapareço por entre as dias que já nem sei contar.

Estou tão fraca!
Na imensidão da noite as estrelas brilham no céu mas eu só quero que chova para ter outra coisa em que pensar. É que todo este sossego convida-me a mergulhar nas recordações e eu sei que não posso lutar contra os meus próprios desejos. Anseio pela tempestade que se faça ouvir, a trovoada que cale as vozes que entraram na minha cabeça e só assim poderei distanciar-me da imagem do teu rosto.

São tantas as vezes que sonho contigo! É tão forte o amor que continuo a ter-te!

Se tivesses como o saber... Se eu o soubesse dizer... Mas eu só sei chorar. Só sei como lamentar!
Estou esgotada e esquecida. É como se morresse aos poucos numa lentidão que se arrasta por séculos.

Cada hora é um ano e eu já nem sei se vivo ou se finjo viver.

 

 

Burry Me Deep Inside Your Heart - Him

Let me awake up in your arms

Hear you say it's not alright

Let me be so dead and gone

So far away from life

Close my eyes, hold me tight

And burry me deep inside your heart

All I ever wanted was you my love

You're all I ever wanted, is you, my love

You're all I ever wanted, is you

Let me never see the sun

And never see you smile

Let us be so dead and so gone

So far away from life

Just close my eyes, hold me tight

And burry me deep inside your heart

All I ever wanted was you my love

You're all I ever wanted, is you, my love

You're all I ever wanted, you, oh my love

That's the way it's always been

My heart stops beating only for you, baby

Only for you, darling

All I ever wanted was you my love

You're all I ever wanted, is you, my love

You're all I ever wanted, you, my love

 


música burry me deep inside your heart - HIM

publicado por mafalda às 13:55 | link do post | comentar

7 comentários:
De Bichana a 12 de Março de 2008 às 17:10
Oh amiga, que delícia ler-te... só lamento e muito que estejas a passar por toda essa dor...
Um segredo, eu também já quis morrer por amor...(e não foi só uma vez) uma das quais permaneci em coma durante 2 dias. Parvinha!
Mas eu sei o que é sofrer por amor, sei!
Por isso querida, força, escreve, escreve e escreve! E reinventa a tua vida (tenta).
Bjnhos!


De mafalda a 13 de Março de 2008 às 11:19
olá.
é curioso como aquilo que nos traz a maior felicidade é capaz de nos oferecer o maior do sofrimento. falo do amor, claro.
conheci esta pessoa há muito, muito tempo (faz 11 anos em setembro) e eu sei que era muito nova mas com o passar do tempo temos aquela ilusão de que será para sempre. é verdade que "apenas" o conheci há quase 11 anos e que as coisas só ficaram mais sérias há pouco mais de 3/4 anos mas a ilusão da eternidade permanece. depois, de um dia para o outro, nem houve tempo para dizer adeus.
ele era o meu melhor amigo e até isso eu perdi.
quero acreditar que isto vai passar mas não creio que o consiga esquecer... isso não.
sinto muito que tenhas sofrido tanto e que tenhas chegado a este ponto (ao ponto de querer morrer).
obrigada pela força e pelo elogio.
beijos.


De Bichana a 13 de Março de 2008 às 15:59
Um e um xi- para ti. Coragem.


De um dos de mim a 13 de Março de 2008 às 18:28
"Sinto-me perdida num mundo fantasmagórico ao qual não dou valor nem tão pouco quero conhecer."

Do humilde conhecimento que tenho daquilo que é ser-se, arrisco-me a dizer que aquela frase, é uma perigosa estrada cujo o destino é demasiado incerto para valer a pena percorrer.

Confesso que, por vezes, fico demasiado imbuído nas tuas palavras... tão maravilhado na forma como expões os teus sentimentos, que me esqueço... que toda esta beleza, é demasiado real para não a sentires... e (como todos nós!) tenho uma percepção daquilo que é no real... e como é essa dor... julgo que ainda me lembro, de quão bom era sentir, essa dor...
Se não me engano, meti-me por essa estrada fora... já não sei... é tão incerta... tão vazia, que estejamos onde for... é sempre nenhures... por isso disse... é perigosa essa estrada que mencionas.

Não me leves a mal, quando disse "quão bom era sentir, essa dor..." - por favor!

Penso que ainda me recordo do que é essa sensação... da agonia... e de quão impossível é viver-se assim...
Mas garanto-te que, para mim (e só agora o sei!), preferi muito mais sentir a dor do vazio, do que a dor vazia de não sentir...

Bj!


De mafalda a 13 de Março de 2008 às 21:34
olá.
claro que não levo a mal e até compreendo que prefiras "muito mais sentir a dor do vazio, do que a dor vazia de não sentir" mas permite-me discordar. os sentimentos podem ser bons ou maus e mesmo quando estamos bem, estamos a sentir.
mas uma coisa também é certa, é preferível sofrer do que simplesmente viver a pairar, sem sentimentos, sem expressões, só que eu nunca esperava sofrer tanto e, se algum dia isto me passar, não vou desejar passar pelo mesmo.
quanto à frase que citaste vou apenas dizer que me sinto tal como a tua descrição, esta estrada é "tão vazia, que estejamos onde for... é sempre nenhures" e, acrescento, não existem indicações a seguir nem tão pouco se avista o final, mas isto não é de agora.
obrigada por continuares a visitar-me e pelos comentários que deixas ficar. dás-me esperança... saber que também já sofreste muito mas que continuas de pé é inspirador.
mais uma vez agradeço as tuas palavras e não te esqueças dos teus blogs, é que estive lá hoje e ainda não tinhas publicado nada
volta sempre...
beijos.


De um dos de mim a 14 de Março de 2008 às 08:01
Continuar de pé... hummm .... realmente consigo, e se isso te dá esperança, melhor! :)
Um dia destes ainda te mostro quão alto consigo saltar... pode ser que, com isso, se aviste algo mais dessa estrada que não seja o nenhures! E que te ofereça mais do que esperança...

Não imaginas a importância das palavras que escreves...

(vou tentar postar alguma coisa hoje... mas não sei se dá!)

Bjs !



De mafalda a 14 de Março de 2008 às 21:47
neste momento não sei o que dizer.
dizes que eu não imagino a importância das palavras que escrevo... realmente não sei.
sei a importância que eu lhes dou, sei que me ajudam a aliviar (mesmo que seja pouco) aquilo que sinto...
mas não sei a importância que têm para ti e isso deixa-me sem saber o que dizer.
não sei...
talvez nunca tivesse pensado que haveria alguém que se identificasse com os meus sentimentos.
sinto-me grata... é verdade!
estou grata por te ter conhecido e julgo que nos estamos a ajudar mutuamente (assim espero), pois quero retribuir o que tens feito por mim... que é tanto e podes julgar tão pouco.
salta alto!
salta alto e diz o que está do outro lado deste muro gigantesco que não me permite olhar para o horizonte.
beijos.


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